Goiás consolidou-se em 2023 como uma das economias mais dinâmicas do Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) que atingiu R$ 336,7 bilhões em valores correntes, registrando crescimento real de 4,8% — acima da média nacional de 3,2%. O estado manteve a 9ª posição no ranking nacional e a 2ª no Centro-Oeste, com PIB per capita de aproximadamente R$ 47.721.
O Valor Adicionado Bruto (VAB) totalizou cerca de R$ 302,3 bilhões, distribuídos da seguinte forma entre os grandes setores, conforme dados consolidados do Instituto Mauro Borges (IMB) em parceria com o IBGE:
- Serviços: 61,1% (R$ 184,7 bilhões) — principal pilar da economia goiana, com ganho de 1,2 ponto percentual (p.p.) de participação em relação a 2022. Cresceu 2,5% em volume.
- Indústria: 22,1% (R$ 66,8 bilhões) — leve ganho de 0,4 p.p. Avançou 3,6% em volume.
- Agropecuária: 16,8% (R$ 50,8 bilhões) — redução de 1,7 p.p. na participação apesar do expressivo crescimento em volume de +15,1%, impulsionado pela produção de soja, milho e cana-de-açúcar, mas impactado pela queda de preços.
Essa estrutura reflete uma economia diversificada, onde o agro mantém relevância estratégica, a indústria oferece base produtiva e os serviços dominam em geração de valor e empregos formais.
Agropecuária: Motor de Crescimento em Volume, Desafio nos Preços
Apesar da perda relativa de participação, a agropecuária goiana continua como um dos grandes destaques nacionais. O forte crescimento em volume (+15,1%) foi o maior desde 2017, sustentado pela expansão das áreas plantadas e boas safras. No entanto, a redução nos preços agrícolas pressionou o valor adicionado. Devido à mudança metodológica do IBGE (transição de base), o detalhamento entre agricultura, pecuária e atividades florestais/pesca não está plenamente disponível no relatório consolidado de 2023, mas historicamente a agricultura (grãos) e a pecuária respondem pela maior fatia.
Indústria: Transformação e Infraestrutura como Destaques
O setor industrial totalizou R$ 66,8 bilhões em VAB, com a seguinte subdivisão aproximada:
- Indústria de Transformação: R$ 43,2 bilhões (cerca de 64,7% do setor industrial) — principal segmento, com crescimento de 4,7% em volume. Inclui alimentos, bioenergia, farmacêuticos e outros.
- Construção: aproximadamente R$ 13,8 bilhões (20,7%).
- Geração e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana: cerca de R$ 9,1 bilhões (13,6%), com forte alta de 7,1% em volume.
- Indústria Extrativa: cerca de R$ 0,67 bilhão (1,0%), com recuo de 2,6% em volume.
A indústria goiana, representada pela FIEG, contava com cerca de 23 mil a 30 mil empresas, liderando o Centro-Oeste em várias métricas de unidades com empregados.
Serviços: O Pilar Dominante da Economia Goiana
Os serviços responderam por mais de 60% do VAB estadual, totalizando R$ 184,7 bilhões. As principais atividades incluem (participações aproximadas no VAB total do estado):
- Administração, defesa, educação e saúde públicas + seguridade social: cerca de 15,6% (R$ 47,1 bilhões) — maior atividade individual.
- Comércio, manutenção e reparação de veículos: cerca de 12,1% (R$ 36,6 bilhões).
- Atividades imobiliárias: cerca de 9,8% (R$ 29,5 bilhões).
- Atividades profissionais, científicas, técnicas, administrativas e complementares: cerca de 5,6% (R$ 16,9 bilhões).
- Intermediação financeira, seguros e relacionados: cerca de 4,9%.
- Outros destaques: educação e saúde privadas, transporte, alojamento e alimentação, informação e comunicação.
Nove das onze atividades de serviços cresceram em volume, com destaques para informação e comunicação (+8,0%), educação e saúde privadas (+7,6%) e atividades financeiras (+7,3%).
Tecido Empresarial: Predomínio de Micro e Pequenas Empresas
Goiás apresenta um ecossistema empresarial vibrante e dinâmico. O estado ultrapassou 1,27 milhão de CNPJs ativos (dados recentes de 2025/2026), com forte predomínio de micro e pequenas empresas.
De acordo com o Panorama dos Pequenos Negócios do Sebrae (dados de 2025), os pequenos negócios (MEI + ME + EPP) somavam cerca de 879 mil a 897 mil unidades, representando aproximadamente 95% do total de empresas ativas. A distribuição setorial entre os pequenos negócios é a seguinte:
- Serviços: 50% (cerca de 440 mil).
- Comércio: 31% (cerca de 272 mil).
- Indústria: 10%.
- Construção: 8%.
- Agropecuária: 1% (cerca de 10 mil a 15 mil empresas/estabelecimentos no total do setor).
O comércio e os serviços de apoio administrativo lideram as aberturas recentes, refletindo a vocação terciária do estado. A indústria conta com cerca de 23 mil a 30 mil empresas, enquanto o agro, embora com menor número de formalizações, destaca-se pela escala e produtividade.
Perspectivas e Conclusão
A economia goiana demonstra resiliência e capacidade de crescimento acima da média nacional, impulsionada pela combinação de um agro moderno, indústria diversificada (especialmente transformação e utilidades) e um setor de serviços robusto. Os recordes sucessivos de abertura de empresas — com dezenas de milhares de novos CNPJs anualmente — sinalizam um ambiente favorável ao empreendedorismo, predominantemente liderado por micro e pequenas empresas.
Desafios persistem, como a dependência de commodities no agro e a necessidade de maior agregação de valor na indústria. No entanto, a diversificação setorial e o dinamismo empresarial posicionam Goiás para continuar avançando nos próximos anos.






