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Mato Grosso do Sul – Força do Agro, Diversificação Industrial e Predomínio dos Serviços

Mato Grosso do Sul consolidou-se em 2023 como um dos estados mais dinâmicos do Brasil, registrando o segundo maior crescimento do PIB nacional: 13,4% em volume, mais de quatro vezes superior à média brasileira (3,2%). O PIB estadual atingiu R$ 184,4 bilhões, representando 1,7% do PIB nacional e posicionando o estado em 15º lugar no ranking brasileiro.

Esse desempenho excepcional reflete a sinergia entre o agronegócio robusto, o avanço da agroindústria e a solidez do setor de serviços. A seguir, analisamos a divisão setorial do Valor Adicionado Bruto (VAB), o faturamento de cada segmento e a distribuição de empresas ativas.

Composição Setorial do PIB (Valor Adicionado Bruto – 2023)

O VAB total aproximado foi de R$ 161,4 bilhões. A distribuição por grandes setores revela um perfil econômico cada vez mais influenciado pelo agronegócio:

  • Agropecuária: 25,92% (R$ 41,832 bilhões) O setor registrou forte expansão (+55% em volume), impulsionado por safras recordes de soja, milho, cana-de-açúcar e pelo bom desempenho da pecuária. A participação do agro no PIB estadual ampliou-se significativamente nos últimos anos, consolidando MS como um dos principais produtores agrícolas do país.
  • Indústria: 22,35% (R$ 36,059 bilhões)
    • Indústrias de Transformação: 14,77% (R$ 23,833 bilhões) — principal motor industrial, fortemente ligado à agroindústria (processamento de grãos, carnes, açúcar e álcool).
    • Construção: 3,67% (R$ 5,929 bilhões).
    • Indústria de Utilidade Pública (eletricidade, gás, água, esgoto e resíduos): 3,49% (R$ 5,626 bilhões).
    • Indústrias Extrativas: 0,42% (R$ 671 milhões).
    A indústria de transformação destaca-se pela integração vertical com o campo, gerando valor agregado local e empregos qualificados.
  • Serviços: 51,73% (R$ 83,478 bilhões) — ainda o setor de maior peso absoluto. Principais componentes:
    • Administração pública, defesa, educação, saúde e seguridade social: 16,63% (R$ 26,829 bilhões).
    • Comércio e reparação de veículos: 10,48% (R$ 16,911 bilhões).
    • Atividades imobiliárias: 7,55% (R$ 12,183 bilhões).
    • Atividades financeiras, seguros e serviços relacionados: 3,63% (R$ 5,851 bilhões).
    • Transporte, armazenagem e correio: 2,03% (R$ 3,275 bilhões).
    • Informação e comunicação: 1,08% (R$ 1,736 bilhão).
    • Outros serviços: 10,34% (R$ 16,693 bilhões).

Empresas Ativas: Realidade Diferente da Contribuição ao PIB

Enquanto o PIB reflete o valor gerado, o número de empresas revela a estrutura empresarial do estado. Em janeiro de 2025, a Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) registrava 189.061 empresas ativas (excluindo MEIs, que somam mais de 203 mil).

Distribuição por grandes segmentos:

  • Serviços: 138.995 empresas (51,48% do total) — liderança absoluta.
  • Comércio: 98.831 empresas (36,61%).
  • Indústria: 31.687 empresas (11,74%).

Dentro da indústria, a Indústria de Transformação concentra 31.341 registros, e a Construção aparece com cerca de 31.794 em alguns recortes. Destaques em serviços incluem atividades administrativas e serviços complementares (42.382) e atividades profissionais, científicas e técnicas (31.312).

Observação crucial sobre o Agro: O setor responde por quase 26% do PIB, mas tem baixa representatividade em registros formais de empresas (estimativas apontam para cerca de 10-13 mil CNPJs). Muitas operações rurais ocorrem via produtores individuais (CPF) ou cooperativas. Isso explica o contraste: alta produtividade por unidade no campo versus grande quantidade de micro e pequenas empresas no comércio e serviços urbanos.

Análise e Perspectivas

O perfil econômico de Mato Grosso do Sul combina alta produtividade no primário com diversificação crescente. O agro não só lidera o crescimento como ancora a indústria de transformação, criando uma cadeia integrada que impulsiona exportações e geração de renda no interior do estado.

O predomínio dos serviços no número de empresas reflete a dinâmica típica de economias modernas: maior facilidade de entrada, menor escala de capital e concentração em atividades locais (comércio varejista, serviços profissionais e administrativos). Campo Grande lidera o ranking de empresas ativas, seguida por Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá.

Para investidores e empresários, MS oferece oportunidades em:

  • Agroindústria e processamento de commodities.
  • Logística e transporte (posição estratégica no Centro-Oeste).
  • Energia (utilidade pública) e construção.
  • Serviços especializados ligados ao agronegócio (finanças rurais, tecnologia agrícola, consultoria).

O estado demonstra resiliência e potencial de crescimento sustentável, combinando vocação primária com modernização industrial e serviços. Com políticas de atração de investimentos e simplificação empresarial (como as avançadas pela Jucems), Mato Grosso do Sul segue posicionado para manter seu protagonismo na economia brasileira nos próximos anos.

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