O Rio de Janeiro segue como a segunda maior economia do Brasil, com PIB de R$ 1,173 trilhão em 2023, registrando crescimento real de 5,7% — acima da média nacional (3,2%). No entanto, a análise da estrutura produtiva revela uma economia com forte dependência de poucos setores e elevada concentração.
Composição do Valor Adicionado Bruto (VAB)
Em 2023, o VAB estadual (cerca de R$ 1,05 trilhão) se dividiu da seguinte forma:
- Serviços: 61,1% (~ R$ 641 bilhões)
- Indústria: 38,5% (~ R$ 404 bilhões)
- Agropecuária: 0,5% (~ R$ 5 bilhões)
Detalhamento por Subsetor
Indústria – 38,5% do VAB
O setor é dominado pela extração de petróleo e gás:
- Indústria Extrativa: 26,2% do VAB total (~ R$ 275 bilhões) — representa cerca de 68% de toda a indústria fluminense.
- Indústria de Transformação: 7,6% (~ R$ 80 bilhões)
- Eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos: 2,4% (~ R$ 25 bilhões)
- Construção: Estimada entre 2,0% e 2,5%
Serviços – 61,1% do VAB
O pilar da economia carioca é diversificado:
- Administração pública, defesa, educação, saúde e seguridade social: 16,0% (~ R$ 168 bilhões) — maior segmento individual.
- Atividades Imobiliárias: 8,2% (~ R$ 87 bilhões)
- Comércio e reparação de veículos: 7,9% (~ R$ 83 bilhões)
- Atividades financeiras, seguros e serviços relacionados: 5,4% (~ R$ 56 bilhões)
- Transporte, armazenagem e correios: 4,1% (~ R$ 43 bilhões)
- Informação e comunicação: 3,2% (~ R$ 33 bilhões)
- Outros serviços: ~16,3% (~ R$ 171 bilhões)
Perfil Empresarial: Muitas Empresas, Poucos Gigantes
Enquanto o faturamento é concentrado, o tecido empresarial é fragmentado:
- Total de empresas e estabelecimentos ativos: Estimado entre 1,0 e 1,2 milhão.
- Comércio: 400 mil a 500 mil estabelecimentos — o setor com maior número de CNPJs.
- Serviços (incluindo alimentação, saúde e pessoais): 800 mil a 950 mil — respondem pela grande maioria das empresas.
- Indústria total: 32 mil a 35 mil empresas.
- Indústria Extrativa: Apenas 100 a 300 empresas/estabelecimentos — alta intensidade de capital.
- Alimentação/Restaurantes: Mais de 200 mil estabelecimentos.
- Agropecuária: Poucas milhares de empresas formais.
O estado bateu recordes de abertura de empresas em 2024 e 2025 (acima de 70 mil por ano), concentradas em serviços de escritório, consultórios médicos, vestuário e alimentação.
Análise Estratégica
O Rio de Janeiro apresenta uma economia dual:
- Alta produtividade concentrada: Poucas empresas da cadeia de óleo e gás geram mais de ¼ de todo o valor adicionado estadual.
- Alta capilaridade: Centenas de milhares de micro e pequenas empresas em comércio e serviços geram emprego em volume, mas com menor valor agregado médio.
Vantagens:
- Posição consolidada no setor de energia.
- Forte base de serviços (públicos, financeiros e imobiliários).
- Dinamismo empreendedor recente.
Riscos:
- Dependência excessiva dos preços internacionais do petróleo.
- Baixa diversificação industrial e quase inexistência de agropecuária relevante.
- Volatilidade macroeconômica influenciada pela extração.
Perspectivas para Investidores e Executivos
O Rio oferece oportunidades claras em:
- Transição energética e serviços relacionados a óleo/gás.
- Expansão de serviços de alto valor (finanças, saúde, TI e logística).
- Consolidação e escala das pequenas empresas de comércio e serviços.
- Projetos de infraestrutura e construção civil.
Para o poder público e associações empresariais, a agenda prioritária deve ser a diversificação produtiva, atração de indústrias de transformação e melhoria do ambiente de negócios para que o dinamismo das novas empresas se traduza em maior produtividade.
O Rio de Janeiro tem todos os ingredientes para ser muito mais do que “o estado do petróleo”. A combinação de uma base de serviços robusta, empreendedorismo em alta e recursos naturais únicos pode posicioná-lo como uma economia mais resiliente, diversificada e de alto valor agregado nos próximos anos. O momento é de transformar potencial em performance sustentável.






