Minas Gerais consolidou em 2025 sua posição como uma das principais economias do Brasil, alcançando um marco histórico. O Produto Interno Bruto (PIB) do estado atingiu R$ 1,157 trilhão, registrando crescimento real de 1,4% em relação a 2024. Esse resultado, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP) em parceria com o IBGE, reflete a resiliência da economia mineira em um contexto de juros elevados e incertezas, sustentada principalmente por setores menos cíclicos como a agropecuária, a indústria extrativa e os serviços.
O Valor Adicionado Bruto (VAB) dos três grandes setores somou aproximadamente R$ 1,012 trilhão, com a diferença até o PIB total correspondendo a impostos indiretos líquidos de subsídios. A estrutura setorial mantém o padrão histórico: forte predominância dos serviços, relevância da indústria (impulsionada pela mineração) e papel estratégico da agropecuária.
Agropecuária: Motor de Crescimento
- VAB: R$ 98,2 bilhões (cerca de 9,7% do VAB total).
- Crescimento real: +3,2% (o maior entre os grandes setores).
Apesar de contrações no quarto trimestre, o setor foi impulsionado por boas safras de soja, milho, batata-inglesa, leite, ovos, suínos e insumos para papel/celulose e metalurgia. Quedas em café, feijão e cana foram compensadas, confirmando o protagonismo do agronegócio mineiro mesmo em anos de desafios climáticos ou de mercado.
Indústria: Recuperação com Destaque para a Mineração
- VAB: R$ 278,1 bilhões (cerca de 27,5% do VAB total).
- Destaques por subdivisão:
- Indústrias Extrativas (principalmente minério de ferro): Crescimento real de +3,1%, com forte recuperação no 4º trimestre (+17,2%).
- Indústrias de Transformação: Crescimento modesto de +0,6%, sustentado por papel e celulose, máquinas e equipamentos, veículos automotores, metalurgia e alimentos.
- Construção: Variação negativa de -2,2%, refletindo contração em infraestrutura e edificações.
- Geração e distribuição de eletricidade, gás, água e saneamento: Desempenho misto, com redução em algumas fontes tradicionais e avanço em fotovoltaica.
A indústria mineira demonstrou resiliência, com a mineração atuando como âncora em um ano de recuperação parcial.
Serviços: Pilar da Economia Mineira
- VAB: R$ 635,6 bilhões (cerca de 62,8% do VAB total).
- Crescimento real: +1,6%.
Quase dois terços da economia estadual, o setor de serviços apresentou desempenho heterogêneo, mas positivo:
- Comércio: +1,7%, com destaque para farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos.
- Transportes: +2,3%.
- Administração Pública: +0,5%.
- Outros Serviços (imobiliárias, financeiras, informação/comunicação, turismo etc.): +2,1%, com atividades imobiliárias e financeiras compensando quedas em turismo e alojamento/alimentação.
Dinamismo Empresarial: Mais de 114 Mil Novas Empresas em 2025
O ecossistema empresarial mineiro mostrou vigor extraordinário. Segundo a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG), foram abertas 114.033 novas empresas em 2025, alta de 15,11% em relação a 2024 — o melhor resultado da série histórica iniciada em 2019.
Distribuição das novas empresas por setor (aberturas):
- Serviços: 85.166 (liderança absoluta, alta de 17,48%).
- Comércio: 23.779 (alta de 8,57%).
- Indústria: 5.065 (alta de 8,64%).
Dados do Sebrae reforçam o predomínio dos serviços no estoque e no saldo líquido de empresas ativas: saldo positivo de cerca de 146 mil no setor, seguido por comércio (+28,2 mil) e indústria (+20 mil). A agropecuária registrou saldo mais modesto (+3,7 mil), refletindo a natureza de muitos produtores rurais (pessoa física ou cooperativas).
A grande maioria das novas empresas é de micro e pequenas (via MEI, Simples Nacional), com forte concentração em atividades como promoção de vendas, beleza, alimentação, transportes e serviços profissionais. Belo Horizonte liderou as aberturas, mas regiões como Vale do Jequitinhonha e Mucuri registraram os maiores crescimentos proporcionais.
Perspectivas e Considerações Finais
A economia de Minas Gerais em 2025 reforça sua vocação diversificada: agropecuária como geradora de volume e exportações, indústria ancorada em recursos naturais e transformação, e serviços como grande empregador e estabilizador. O recorde de aberturas de empresas sinaliza otimismo empreendedor, especialmente em um ambiente de simplificação regulatória e digitalização do registro mercantil.
Desafios persistem — como a necessidade de maior investimento em infraestrutura, qualificação profissional e diversificação industrial além da mineração. Para 2026, o desempenho dependerá de commodities, safra agrícola, juros e cenário fiscal nacional.
Empresários e investidores que buscam oportunidades em Minas devem olhar com atenção para serviços de alto valor agregado, agronegócio tecnológico, cadeia de suprimentos da mineração e transformação digital. O estado que já superou a marca de R$ 1 trilhão mantém sua trajetória de crescimento sustentável e empreendedor.






