Quando a gente fala de imposto no Brasil, muita gente já solta aquele suspiro: “lá vem dor de cabeça”. E não é por menos. O sistema é cheio de regras, tabelas e siglas que parecem feitas para confundir. Mas se a gente simplificar, dá pra entender quem acaba pagando mais e quem consegue escapar com uma carga menor.
Empresas: o peso do faturamento e do consumo
Imagina uma empresa que fatura R$ 1 milhão por ano. Parece muito dinheiro, mas não significa que tudo isso vira lucro. No regime de Lucro Presumido, por exemplo, o governo assume que uma parte da receita é lucro, mesmo sem olhar os gastos reais. Para serviços, essa “presunção” é de 32%. Ou seja, o governo calcula imposto como se a empresa tivesse lucrado R$ 320 mil.
- IRPJ: 15% sobre esse valor = R$ 48 mil.
- Adicional: mais 10% sobre o que passa de R$ 20 mil/mês = R$ 24 mil.
- Total só de IRPJ: R$ 72 mil.
Mas não para aí. Tem também a CSLL (9% sobre a base), que dá quase R$ 29 mil. E, além disso, os novos impostos sobre consumo, o CBS e o IBS, que juntos ficam na casa de 26% a 28% sobre vendas. Isso significa que, no fim das contas, a empresa pode ver mais de um terço da receita indo pro governo.
No Simples Nacional, que é voltado para pequenas empresas, a conta é diferente. A alíquota varia de 4% a 33% dependendo da atividade e do faturamento. Uma lojinha que fatura R$ 1 milhão por ano pode pagar algo em torno de R$ 60 mil a R$ 80 mil. Parece menos, mas ainda assim é pesado quando somamos os impostos embutidos nos produtos e serviços que ela compra.
Pessoas físicas: o peso do salário
Agora vamos olhar para o trabalhador. Para uma pessoa física pagar os mesmos R$ 72 mil de imposto que a empresa do exemplo, ela precisaria ter um salário de cerca de R$ 21.800 por mês. Isso porque o Imposto de Renda da pessoa física chega até 27,5% na faixa mais alta.
Ou seja, só quem está entre os mais ricos da tabela paga esse valor. E diferente das empresas, o trabalhador não pode “abater” insumos ou custos operacionais. Ele só consegue deduzir algumas coisas, como dependentes ou gastos com saúde e educação, mas nada que mude radicalmente a conta.
Além disso, o trabalhador também paga imposto indireto quando consome: todo produto ou serviço já vem com CBS, IBS e outros tributos embutidos no preço. Então, mesmo quem não está na faixa alta do IR, sente o peso da tributação no dia a dia.
Comparando os dois lados
- Empresas: no imposto direto sobre o lucro (IRPJ), elas pagam proporcionalmente menos do que uma pessoa física de alta renda. Mas quando somamos os tributos sobre consumo, a carga fica muito maior.
- Pessoas físicas: quem ganha salários altos é mais penalizado pelo IRPF, mas não enfrenta percentuais tão altos sobre a renda quanto as empresas enfrentam sobre faturamento. No entanto, todos — ricos e pobres — pagam impostos embutidos nos preços dos produtos.
Conclusão em linguagem simples
Se a gente olhar só para o Imposto de Renda, parece que as empresas se dão melhor, porque pagam menos proporcionalmente. Mas quando colocamos na balança todos os tributos, principalmente os que incidem sobre consumo, fica claro que as empresas acabam carregando um peso maior no total.
Já as pessoas físicas, especialmente quem ganha muito, sentem o impacto direto do IRPF. E quem ganha pouco, mesmo isento do IR, não escapa dos impostos embutidos em tudo que compra — do pãozinho na padaria até a conta de luz.
Em resumo: no IR, o trabalhador de alta renda paga mais proporcionalmente; no total, a empresa leva a pior porque enfrenta uma carga que pode passar de 35% da receita.






